Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009

Prova de amor ou loucura????

 

Hoje meu poste é bem diferente do Habitual, e vocês vão já ver porquê…

Deixo aqui um conto digno de ser lido por todos, não fui eu que o escreveu não saberia fazer tal…
Mas sim um Senhor que por acaso ou não tem o mesmo nome que o meu (Macedo)
Será parente meu? Daí termos a veia apurada para a escrita…
Ainda gostava de saber se temos laços familiares e até irei começar a pesquisar nesse sentido…
Esse Senhor como dizia é avô de minha querida amiga Thecka bem além mar (Brasil) moram eles.
Minha amiga tem uma enorme admiração pelo seu avô, e enviou-me alguns textos dele o que adorei ler e vou publicar pois admira-me ainda não terem publicado tal maravilha…
Meus parabéns Josias Macedo pelo que escreve pelo que transmite e por esses belos 77 anos é de louvar mesmo…

agora podem ler o conto amigos, e dei-a vosso parecer…





 

 
 
A APOSTA
 
Vamos sentar aqui no matinho, na beira desta rampa, tendo em nossa frente o espaço aberto e lá em baixo a ribanceira. Gosto de sentir o perigo em volta. Qualquer escorrego, despencaremos para a morte sem tempo nem de dar um grito de socorro. Não morreremos, no entanto, se entre aquelas pedras onde as ondas do mar se batem com violência, estiver um buraco d'água profundo,como assistimos nos filmes,quando o mocinho e a mocinha sempre se salvam .A nossa real situação de risco não tem seu enredo  manipulado,salvo pelo próprio destino que não sabemos como encontrar para bater um papinho com ele e lhe pedir para ser complascendente com um de nós, o  perdedor. Também esta aposta que fizemos é o máximo de crueldade, desde que quem perder deve se mandar, jogando-se por conta própria para a eternidade ou para a fama de desafiar a extinção da vida e continuar vivendo, livrando-se das pedras. Acho que poderemos até morrer antes de chegar lá embaixo. Principalmente eu que já tive um enfarte e fiquei quatro dias numa UTI, o que me habilita a dizer que já estive frente a frente com aquela figura alta e sinistra, toda vestida de preto e longa capa escura, com buracos na cara, onde deveriam ter olhos e boca, segurando em sua esquelética mão direita uma foice alongada, como esperando a ordem para me degolar. Enquanto estava cheio de fios que na sabedoria da ciência humana seguravam a minha existência neste planeta, a tal aparição encarava-me com cara de muita pressa. Foi quando aconteceu um milagre. Um hindu com uma vestimenta dourada e um torso com uma belíssima esmeralda bem no meio e ao seu redor uma grande luz violeta chegou, apontou seus braços para o meu coração e um raio de luz dourada ofuscou minha visão e a sinistra figura de preto esvaiu-se em fumaça. Devo, neste instante, ter desmaiado. Quando despertei, estavam ao meu redor várias pessoas vestidas de avental branco e de muita luz no recinto, não deu para perceber seus rostos, quando uma delas disse-me:
- Ainda não chegou a sua vez de voltar para a espiritualidade. Sua missão ainda não terminou. Muitas preces de todos que lhe amam e principalmente dos que você foi caridoso chegaram ao Pai Celestial e Ele permitiu uma prorrogação. Porém, deverás ter cuidado de agora em diante com qualquer tipo de excesso. Seja regrado no que come no que pensa e faz. Continue com a sua bondade com o próximo e nas horas mais angustiantes estaremos ao seu lado.
Ocorre que extrapolei mais uma vez. Estou aqui ao seu lado, nesta aposta maluca, exatamente porque não controlei uma paixão por uma mulher. Por outro lado, bem que poderia ser uma morte mais branda. Uma injeçãozinha na veia, como os prisioneiros por crimes hediondos recebem em algumas partes do mundo ou aquele refrigerante com o pozinho fatal como aparece nas novelas. Nenhum de nós queria perder a prenda e aceitamos esta maneira horrorosa de morrer que foi a escolhida pela própria. Isto porque um amigo em comum nos deu a sugestão de uma aposta, desde que à dita cuja concordasse e ela mesma sugerisse qual seria.  Assim sendo, marcamos uma reunião com ela, tendo o dito camarada como testemunha. Na conversa, procuramos saber quais as qualidades que ela mais desejava que seu amado tivesse, para não se decepcionar depois de casada. Ela respondeu que queria um homem que a amasse tanto que, por ela desafiasse a morte. Ficou acertado um CARA ou COROA na beira de um precipício, tendo como testemunhas o padre-vigário, o delegado de polícia, além de quem quisesse testemunhar a aposta da grande prova de amor. Por isto não estranhei o montão de gente de olhos esbugalhados e das rezarias de algumas beatas, pois a notícia se espalhou como pólvora pelo povoado. Quem perdesse, se jogaria no vácuo do buraco e certamente morreria. O que ganhasse, poderia pedir a mão da donzela em casamento, o que seria certo acontecer. Nestes instantes cruciais que antecediam o grande final, aproximou-se o delegado e procurou uma moeda por tudo que foi bolso e não achou. Bradou para todos que estavam no local e tinha gente até por cima dos coqueiros, pedindo uma moeda e ninguém tinha a dita cuja. Então mandou seu ajudante pegar uma bicicleta mais próxima, tinha milhares por lá, chegar até o armazém de Seu João e trazer uma de qualquer valor, com urgência, pois a tarde já estava caindo e o sol descambando avermelhado. Aí, o sacerdote, para encher o tempo, teve a idéia de nos convidar a confessar. Alertei-lhe que não se aproximasse muito, pois era gordão e com sua batina pesada para dar uma escorregada não seria novidade. Chegou mais perto que pôde e disse em voz baixa.
- Desde que um de vocês ainda hoje, antes da lua aparecer, se apresentará na presença de Deus, melhor será arrependido de seus pecados. Olhou para meu companheiro e pediu que ele começasse a enumerar as suas faltas e que eu tapasse os ouvidos. Depois fez o mesmo comigo. Para ele, determinou que caso fosse o sobrevivente, deveria dar banho, acariciar e cobrir de talco e perfumes a sua vovozinha durante seis meses, como penitência por deixar a coitadinha em cárcere privado pelo mesmo período só em companhia de uma babá demente e um cachorrinho quando viajou para vagabundear pelo mesmo período gastando o dinheiro que ganhou no jogo do bicho. Para mim, se ganhasse a aposta, sentenciou que pelo mesmo tempo deveria lavar e cozinhar para a mesma senhora, pelo fato de sabendo desta maldade do outro, nada fiz para amenizar a situação, desde que somos vizinhos.
Aí chegou policial com a famigerada moeda. O silêncio foi total. O delegado junto à dita entre as mãos e perguntou-me:
-Cara ou coroa?
Fiquei momentaneamente sem voz. Depois disse com embargamento CARA.
Moeda foi jogada pra cima voltou danada de veloz, rodou e rodou no chão e depois de umas cambalhotas mostrou para todos ver a COROA.
Cabia-me provar que era macho de verdade e fui convidado  para dizer as últimas palavras antes de me jogar daquelas alturas para nunca mais voltar  inteiro, Olhei para a minha amada e a ela dirigir esta despedida :
- Se for para viver sem seu amor, melhor será morrer para sempre!
Virei-me, dando as costas e fiz um padre-nosso bem devagar e joguei-me no vazio.
Outro milagre pensei quando me vi preso numa rede enorme que tinha me aparado da queda que seria fatal, com poucas possibilidades de não ser.
Fui puxado para cima e recepcionado com uma estrondosa salva de palmas. Foi quando a minha bela apaixonada correu, abraçou-me e disse-me entre lágrimas e sorrisos:
- Nesta aposta quem perdesse é que ganharia meu coração. Não há neste mundo maior prova de
 afeto do que preferir morrer  se  a amada não corresponder ao seu amor! Você me ama realmente e é com você que quero viver o resto dos meus dias.

 

Foi o casamento mais lindo daquelas bandas. O outro, sumiu e ninguém mais soube dele. O que ganhou a aposta e perdeu o seu prêmio. Que ache outro e seja também feliz, bem longe, bem longe...



Josias Macedo Neto,
Dias D'Ávila-Bahia-Brasil,
77 anos

 
 
http://blogs.blogs.sapo.pt/157050.html#ponto2
sinto-me: aliviada....

publicado por Alzira Macedo às 12:13
link do post | comentar | favorito
5 comentários:
De estreladosul a 16 de Janeiro de 2009 às 18:59


Às vezes sabe bem perder uma aposta. eh eh
Lindo conto. Podes continuar a publicar o resto dos contos, amiguinha.

Um lindo fim de semana

Bjinho amigo

Mário Rodrigues


De Theka a 21 de Janeiro de 2009 às 11:12
Sem palavras..................................

Só agradecer de coração............................

Com lágrimas, Theka.


De Fisga a 24 de Janeiro de 2009 às 11:38
Olá Amiga Alzira. Este conto tal como o outro é um espectáculoe também ele uma lição de vida, para quem a queira aprender. Esse Josias era bom para colaborar na fábrica de Histórias, porque de facto é um bom contador de Histórias. Pena é que estes e outros valores se vão perdendo com o tempo, porque eles já foram a T. V. de outros tempos, contados junto à lareira, estes contos faziam as delícias de miúdos e graúdos. Amiga Um forte abraço e bom fim de semana. Eduardo.


De M.Luísa Adães a 24 de Janeiro de 2009 às 16:11
Alzira

Aqui estou, olhando seu post, meditando nele, procurando compreender melhor - sempre melhor!
E um dia ... Posso responder!

Beijos,

maria Luísa


De Chicailheu a 26 de Janeiro de 2009 às 18:55
Que bom teres partilhado connosco um texto tão maravilhoso!
A idade não conta, pois existem pessoas com muita idade que contém uma riqueza imensa de sabedoria e conhecimentos.
Gostei muitíssimo!
Beijokas
Chicailheu


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